Detentor de vários títulos
na modalidade, a vida do atleta nem sempre foi assim.
Com problemas de saúde, sua carreira esportiva
esteve seriamente ameaçada ainda na infância.
Como a maioria dos competidores ele passou por outras
modalidades antes de se firmar nos esportes de força.
Raro no meio esportivo, o atleta - que é formado
em Educação Física - se especializou
em fisiologia do exercício, tudo para aumentar
mais seu conhecimento e aliá-lo à prática.
Hoje ele trabalha no Instituto Biodelta de Ensino e Pesquisa, “onde
atendo verdadeiros “strongman”, pois muitos
dos meus pacientes têm em média 80 anos
de idade com uma força de vontade e uma disciplina
incrível. Alguns pacientes chegaram em cadeiras
de rodas e hoje graças ao treinamento resistido
(musculação) voltaram a andar e ter uma
vida mais digna”, revela.
Luciano treina no próprio local de trabalho, e
contou muitas histórias interessantes, de determinação,
força de vontade, superação e solidariedade.
Acompanhe os principais trechos abaixo.
(Portal do Ferro) – Luciano, conte como você começou
a praticar esportes e qual a sua trajetória até chegar
ao Strongman.
(Luciano) - Então, desde pequeno adorava praticar
exercícios físicos. Iniciei com as artes
marciais tendo começado pelo Karatê com mais
ou menos 9 anos de idade, modalidade que pratiquei por
três anos. Ao final deste período tive uma
grave escoliose na coluna lombar onde mal conseguia andar.
Não conseguia nem estudar direito nesta época,
consegui até dispensa da escola, meu pai às
vezes tinha que me carregar de um cômodo para outro
da casa com 12 anos de idade acredita?.. Alguns ortopedistas
na época disseram que o meu caso só poderia
ser resolvido com cirurgia e, outros me indicaram a natação
como tratamento. E assim comecei mais uma jornada procurando
melhora. No karatê, eu era o aluno mais novo e o
faixa mais graduada, e assim foi com a natação
também, as dores na coluna não impediram
que eu fosse o melhor nadador da academia em um ano. Como
gostava muito dos filmes de Bruce Lee, neste período
comecei a usar muito de sua filosofia na qual ele dizia
que a ajuda está em nós mesmos. E depois
de muita reza, e muita meditação meu problema
na coluna simplesmente sumiu. E após dois anos nadando
e ganhando vários campeonatos, me cansei da natação
e voltei para as artes marciais. Desta vez surpreendi a
todos quando disse que tinha vontade de treinar capoeira
(Que quase não exige nada da coluna né? rs).
Assim como no karatê, eu era o mais novo e o mais
disciplinado, era o mais graduado. Neste período,
estava jogando futebol também e quase cheguei a
me profissionalizar como jogador de futebol. Permaneci
na capoeira por seis anos e nunca mais senti sequer algum
desconforto na minha coluna. Quando comecei a dar aula
de capoeira, entrei na faculdade e tive que abandonar.
Fiz Educação Física no intuito de
dar aulas para crianças (adoro crianças)
em escolas. Porém, foi no início do ano de
2001 que minha estória começou na musculação.
Após ter sido mandado embora de uma empresa de telemarketing,
(incrivelmente no dia seguinte) a dona de uma academia
na qual eu tinha deixado um currículo um ano antes
para lecionar capoeira, me ligou dizendo que estavam precisando
de professor de musculação. Fiquei com medo
na verdade, porque nunca tinha sequer treinado musculação
na minha vida! E mais um detalhe, eu não ia ser
estagiário, era academia de “ferreiros”,
eu ficaria das 7h as 15h sozinho........ A minha sorte
foi que ela pediu para eu voltar no dia seguinte, pois
saindo de lá, a primeira coisa que fiz foi passar
na casa de um amigo meu e pedir para que ele me levasse
na academia onde ele treinava e me falasse o nome de cada
aparelho e pra que servia cada um, acredita? Fui me virando,
estudando, fazendo diversos cursos e lendo muitos livros
da área. Esta academia por ser de “ferreiros” foi
uma das melhores escolas que tive. Neste período
comecei a treinar. Treinei por uns três meses e tive
até um bom resultado. Porém, quando comecei
a fazer dieta acompanhada com o treino, como eu nunca tinha
feito dieta, a resposta foi surpreendente! Todos achavam
que eu estava tomando drogas anabolizantes. E juro pra
você. Nunca tomei nada, porém não sou
hipócrita e não tenho nada contra quem usa,
pois o corpo é de cada um e cada um faz dele o que
bem entender. Mas não é um caminho seguro.
Neste período, durante 3 anos, fiz jiu jitsu, vale
tudo e kung fú. O kung fú me ajudou e ajuda
até hoje. Pois continuo usando minha concentração
nos meus treinos e campeonatos. Dei aula de kung fú por
alguns anos, porém hoje tenho que me dedicar mais
ao strongman. Em agosto de 2004 fui com um amigo, Silvio
Vitório, a um campeonato de strongman. Ele me convenceu
a competir e eu nunca tinha treinado pra isso. Caí de
pára-quedas no campeonato e surpreendi a todos quando
consegui o quarto lugar. Então achei empolgante
ver aquela galera gritando meu nome e me dando força
a cada prova concluída! Em maio de 2005 conheci
meu técnico. Atleta de levantamento olímpico,
Hussein Omairi. Se devo a alguém os meus títulos,
esse alguém é meu técnico, que tem
sido como um segundo pai pra mim me ajudando não
apenas no treinamento, mas também nos meus problemas
particulares. Ele me passou um método de treino
que pra falar a verdade, vai contra quase tudo o que estudei
acredita? Porém eu sempre tive a cabeça aberta
e experimentei seus métodos. Fiz algumas modificações
(ao meu ver necessárias) e meus treinos decolaram.
Ele também é contra o uso de drogas anabolizantes.
Uni meus conhecimentos acadêmicos, minhas técnicas
de meditação e concentração
do kung fú, os métodos de treinamento do
meu técnico, fiz um acompanhamento nutricional com
um profissional da área e os títulos começaram
a vir. Hoje já sou campeão de alguns eventos
de strongman que são realizados pelo Brasil.
(PF) – Quais foram seus títulos mais importantes
no Strongman?
(Luciano) - Vice-campeão brasileiro na categoria
acima de 100kg em 2005 na cidade de Leme, campeão
brasileiro do powerman Brasil 2005 na cidade de São
Paulo, campeão do primeiro desafio de força
Brutus de Francisco Morato em 2006, campeão paulista
de strongman na cidade de Peruíbe em 2006, campeão
brasileiro de strongman na cidade de Peruíbe em
2006, campeão do primeiro desafio de strongman na
cidade de Estiva Gerbi em 2006, campeão do strongman
alive de Campinas em 2006 e atualmente campeão do
primeiro desafio de strongman da cidade de Salto em 2007
pela Associação Brasileira de Strongman.
(PF) – Você é Educador
Físico e seguiu uma linha de estudos dentro
do treinamento de força. Como foi essa escolha?
Você contou com apoio ou descrença
de amigos e familiares?
(Luciano) - No começo foi difícil, mas quando os títulos
começaram a vir comecei a ganhar mais o respeito do pessoal.
(PF) – Como
você descreveria o Strongman para um leigo
e quais seus principais atrativos e desafios?
(Luciano) - O desafio de strongman eu vejo como um campeonato onde se procura
um homem com todas as capacidades físicas mais próximas do perfeito.
Porque além de ser forte, você tem que ser ágil, rápido
resistente e ter uma força de vontade e uma força mental incrível!
(PF) – As
competições de SM não têm
necessariamente os mesmos eventos como o powerlifting
ou olímpico, por exemplo. Como se “monta” uma
estratégia competitiva?
(Luciano) - Treino normalmente todos os dias, não mudo nada nas vésperas
dos campeonatos. Faço muitos exercícios básicos como agachamento
e terra, e infelizmente não consegui alguém ainda para fabricar
aparelhos para eu treinar o específico, ou seja, tudo que conquistei
até hoje tem sido na raça!
(PF) – O
que seria esse “treino específico”?
(Luciano) - O treino específico é o que treinamos com os próprios
aparelhos da competição. Isto faz uma diferença enorme,
pois não adianta você ser forte, tem que ter a técnica
de cada equipamento, que você só desenvolve treinando no próprio.
Como disse, infelizmente ainda não consegui patrocínio para
ter estes equipamentos, mas creio eu que as coisas ainda vão melhorar,
melhorando assim minha performance nos campeonatos também.
(PF) – Como
se organiza uma competição de SM?
Como se escolhem os equipamentos a serem utilizados?
(Luciano) - Isso vai de cada organizador, não tem necessariamente
um padrão.
(PF) – Como é a “política
esportiva” em SM? Como são as organizações,
federações, academias, etc., e como
elas interagem?
(Luciano) - Na verdade infelizmente aqui no Brasil ainda não existe
nenhuma federação desta modalidade, porém pessoas
que amam o esporte como o Robison da academia Roby Company em Itu, está dando
um grande passo ao montar a primeira associação brasileira
de strongman. Se Deus quiser vai dar certo.
(PF) – Você acha
que o Strongman tem chances de crescer e se desenvolver
no Brasil?
(Luciano) - Sem dúvida acho que o Brasil tem atletas de altíssimo
nível, porém infelizmente ainda anônimos, mas só depende
de nós atletas da modalidade ir para frente. Não devemos
ficar esperando de ninguém, muito menos de políticos,
que são pouquíssimos que se interessam em melhorar as
condições de algum esporte aqui no Brasil.
(PF) – Uma
dúvida que sempre ocorre a quem não
conhece muito o SM é como se compõe
as rotinas de treinamento, já que os eventos
de uma competição requerem muitas
capacidades funcionais além da força
máxima em determinado grupo articular. Como
você definiria o “atleta ideal” de
SM?
(Luciano) - Como disse o atleta ideal é aquele que se aproxima das perfeições
em todas as capacidades físicas. O que faço é treinar e
fazer dieta. Não têm segredos, Bruce Lee dizia que o caminho para
a perfeição é a disciplina e o treinamento, pois somente
quando um indivíduo tiver quatro pernas ou três braços, nós
teremos um atleta bem diferenciado (risos). Do resto não tem segredo.
A propósito, não tenho paciência para fazer esteira, ou correr,
só treino com pesos.
(PF) – Como é sua
alimentação/suplementação?
(Luciano) - Já cheguei a consumir 6 mil calorias diárias. Comia
12 vezes por dia! Para mim os suplementos que funcionam são: Hiperprotêicos,
malto dextrina e creatina..... só!
(PF) – Quais
são seus principais objetivos para o futuro
no Strong?
(Luciano) - Ser campeão mundial e usar do dom que Deus me deu para ajudar
a pessoas necessitadas. Por exemplo, um campeonato mundial chega a render para
o atleta R$150.000,00. Já pensou quantas famílias podem ser ajudadas
com pelo menos metade desta grana?